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Uma introdução ao mercado cambial

Introduzimos uma nova rubrica chamada S.E.C.A., da secção de economia, com o intuito de aumentar a literacia financeira de quem se interesse ou não interesse por parte de jovens formados na área. Tornaremos a economia apelativa e útil para o dia a dia e o futuro.

Texto de Joaquim Couto e Gonçalo Brites Ferreira

Economia na Faculdade de Economia do Porto


A taxa de câmbio mais não é que uma relação entre duas ou mais moedas. De certa forma, estabelece o preço de uma moeda em relação à(s) outra(s). A título de exemplo, vejamos a seguinte taxa de câmbio hipotética: 1€=1,2$ (ou seja, com um euro compro 1,2 dólares e preciso de 1,2 dólares para obter um euro).


As taxas de câmbio variam conforme as apreciações ou depreciações das respetivas moedas (valorizações ou desvalorizações, no caso de ser decidido pelas autoridades monetárias). Se no exemplo dado acima o euro depreciasse, com 1 euro já comprávamos menos que 1,2 dólares. E porque é que as moedas apreciam ou depreciam? Devido à oferta e procura das mesmas! E o que é que influencia a oferta e a procura? Temos alguns fatores que ajudam a explicar o comportamento do mercado.


Comecemos pelo fator taxa de juro. Vejamos um exemplo que nos permite perceber de que modo é que se estabelece esta relação. Se as taxas de juro do Brasil aumentarem, é natural que os investidores prefiram investir em ativos (por exemplo, depósitos) em reais, a moeda oficial do Brasil. Deste modo, vão comprar mais reais. Teremos então um aumento da procura de moeda, que levará a um aumento do preço do real - ou seja, a uma apreciação da moeda brasileira.


A quantidade de uma determinada moeda que circula no chamado “mercado monetário” é também um importante fator para a manutenção ou variação de uma determinada taxa de câmbio. Tal como nos diz o senso comum, o excesso de algum produto no mercado faz baixar o seu preço. O mesmo acontece com as moedas, uma vez que se emitirmos moeda “a mais” o seu preço irá descer (depreciar), ou irá exercer uma pressão junto da autoridade monetária responsável para esta desça o preço, ou seja, desvalorize a sua moeda. A procura de uma moeda, que dá origem à quantidade que mantém a taxa de câmbio estável no tempo, é influenciada pela liquidez, rentabilidade e risco dos ativos que estão denominadas na mesma.


Por sua vez, as políticas monetárias implementadas para manter ou alterar a taxa de câmbio, irão depois ter consequências nos preços internos do país. Num primeiro momento, aquilo que em economia chamamos de curto prazo, estas políticas irão alterar a taxa de juro interna, de tal forma que vão alterar a rentabilidade dos depósitos e outros ativos financeiros, que estão denominados em moeda nacional. No longo prazo as consequências destas políticas podem ser mais nefastas para as economias se os programas não introduzirem os estímulos e os incentivos certos à economia.


A teoria diz-nos que a moeda se irá manter neutral, ou seja, a moeda não irá influenciar o crescimento real do produto interno nem as taxas de juro dos ativos denominadas das moedas, os aumentos ou diminuições da quantidade de moeda vão ser absorvidos pela dinâmica de preços internos. Por exemplo, um aumento permanente da moeda que não corresponda a um incentivo real da economia irá terá consequências desastrosas no longo prazo para a economia do país, uma vez que o sistema de preços vai absorver esse aumento em forma de inflação - ou seja, num aumento generalizado de preços na economia. Por outro lado, a taxa de câmbio vai perder a capacidade de refletir as dinâmicas reais da economia, porque os seus ativos financeiros vão remunerar abaixo do crescimento dos preços da economia, ou seja, os investidores estarão a perder poder de compra. A conclusão destas políticas? Mais moeda, mas barata, preços mais caros e menos poder de compra.


É importante explicar também as relações entre taxa de câmbio e o comércio externo de um país (exportações e importações). Se uma moeda apreciar em relação às outras, é natural que as exportações desse país fiquem mais caras e as importações mais baratas. Ou seja, vai ser mais difícil exportar e os indivíduos dessa economia terão mais poder de compra para comprar bens importados. Portugal já fez o contrário. No decorrer dos programas de ajustamento de 1977 e 1983 as autoridades portuguesas decidiram desvalorizar a moeda de forma a que a economia portuguesa ganhasse competitividade internacional.

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